Junta de Freguesia de São Martinho de Mouros Junta de Freguesia de São Martinho de Mouros

História

A terra designada atualmente de São Martinho de Mouros foi certamente povoada desde a Pré-história. A sua geografia e as facilidades de defesa naturais, dispersas pela Serra das Meadas e sobre as encostas que descem até ao Douro, contribuíram certamente para os povos que a habitaram se defendessem dos povos invasivos. Daí ter sido procurada e habitada por tribos pré-celtas: talvez Lígures, a quem se atribui a origem do 1.ºcastro que existiu na Mogueira, posteriormente celtizado e romanizado. Contudo, este castro deve ter sido sucessivamente reocupado por vários povos, confirmam-no os vários vestígios arqueológicos que existem no Castro da Mogueira: Inscrição rupestre, vestígios de habitação de castro, três muralhas ou coroas, duas cisternas, das quais uma terá tido função de santuário, pois talvez servisse para recolher sangue e ossos das vitimas, oferecidas e imoladas em honra de divindades pagãs, sepulturas escavadas na rocha, vestígios de um Castelo e uma torre, etc.

Foi concelho e julgado anterior à nossa Nacionalidade, com primeiro foral dado por Fernando Magno, rei de Leão e Castela, e confirmado por D. Teresa em 1121. Teve foral novo manuelino, outorgado em 1513. Perdeu a autonomia judicial em 1840, e foi finalmente extinto em 1855, data na qual passou para o concelho de Resende, do qual é atual freguesia. Conserva um pelourinho, levantado no largo central da povoação, diante da antiga Casa da Câmara, símbolo da autonomia municipal de S. Martinho e das liberdades populares e ainda local de aplicação de justiça.

O pelourinho assenta num soco constituído por uma plataforma muito elevada, que sustenta quatro degraus octogonais, de aresta. A plataforma seria igualmente octogonal, mas foi cortada em três lados, ficando com cinco faces. A coluna tem base quadrada, sendo a partir daí de secção octogonal, conseguida através do chanframento das suas arestas. Possui um aro metálico a menos de meia altura, com ferros de sujeição. O capitel é composto por uma moldura circular torsa, encimada por outra moldura quadrangular, também decorada com torcículos. Remata em ábaco ou tabuleiro quadrado, que suporta a base saliente de um prisma retangular, rematado em abóbada de barrete de clérigo, com faces cavadas e molduradas. Em cada face estão relevos heráldicos, nomeadamente um escudo das cinco quinas, uma cruz de Avis, e duas cruzes de Cristo. Junto do escudo figura a data de 1601, provavelmente respeitante à construção do pelourinho. Sobre o bloco terminal eleva-se ainda um pequeno cogulho.

Igreja Matriz de São Martinho de Mouros é considerada uma das mais originais igrejas românicas portuguesas, pelas soluções construtivas que lhe conferem um estatuto único na produção arquitetónica nacional dos séculos XII e XIII. O tratamento da fachada principal, e genericamente do setor ocidental do templo constituem marcas diferenciadas do projeto. As características do estilo românico são bem visíveis através das paredes grossas, contrafortes na parte exterior do lado norte, cachorros emergindo nas paredes, sob o telhado, com figuras humanas e de animais, abóbada central em forma de berço, siglas em algumas portas e janelas, frestas de duplo arco, na parede do lado esquerdo.

São Martinho de Mouros é uma freguesia portuguesa do município de Resende, com 14,67 km² de área e 1 495 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 101,9 hab/km².

Foi sede de concelho entre 1121 e 1855. Era constituído pelas freguesias da sede, BarrôFontoura e Paus. Em 1801 tinha 5 503 habitantes e em 1849 tinha 6 122.

A freguesia de S. Martinho de Mouros é das mais antigas do actual concelho e também das mais ricas em História, em tradições e em belezas paisagísticas. Fica quase toda na encosta da margem direita do rio Bestança, a caminho do Douro que a limita a norte.

Desde o rio, preso lá no fundo, até à Fonte da Mesa nas Meadas a 1.122 metros de altitude, o território é extremamente acidentado, cheio de penhascos e cabeços e, lá mais no alto a penedia é tão bela e tão estranha que parece incomodar o firmamento e dizer a quem a vê que, por entre aquelas figuras arrogantes e esquivas, há heróis, há bruxas ou gigantes de outras eras.

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